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Blog10 de abril de 2026

O sistema das 5 posições do guarda-redes: o método Aureak

Num sábado de manhã, durante um estágio, um guarda-redes de dez anos sofre três golos em poucos minutos. O problema não é técnico: ele corre, mergulha, dá tudo. Mas em cada situação o corpo não está pronto. Perante um remate de longe, está agachado. Perante um duelo, está de pé com os braços ao longo do corpo. O treinador pode repetir as indicações à vontade: a criança perde-se numa torrente de palavras: "baixa o centro de gravidade", "abre as palmas", "avança o pé de apoio".

Foi nessa manhã que nasceu uma ideia simples: e se substituíssemos essas longas explicações por um único número? "Posição 2". A criança sabe de imediato onde colocar o corpo, as mãos e o olhar. É essa a origem do sistema das 5 posições, uma metodologia própria da Academia Aureak, afinada época após época e ainda em evolução.

A ideia central deste sistema assenta num princípio a que as ciências do movimento chamam dissociação cognitivo-motora: cada postura condiciona não só o corpo, mas também o estado de espírito. Quando um guarda-redes adota a posição certa, o cérebro prepara automaticamente a reação certa. Já não pedimos a uma criança que pense em dez elementos ao mesmo tempo; damos-lhe uma linguagem curta e visual que o corpo entende de imediato. As metáforas animais e visuais (T-Rex, Dragão, Robô, Muro, Cruz) funcionam como um atalho mental, sobretudo com os mais novos.

Posição 1 — O T-Rex

A posição 1 adota-se quando um jogador remata de longe, por exemplo num penálti ou num remate de vinte metros. O objetivo é claro: agarrar a bola com segurança e, se necessário, criar uma deslocação lateral.

O centro de gravidade mantém-se alto, o guarda-redes está grande na sua posição. A deslocação parte da bacia e dos ombros, e as mãos acompanham o movimento. As duas mãos trabalham juntas, prontas a formar uma taça à volta da bola. A atitude é ofensiva: "quero aquela bola, vou buscá-la". Com as crianças falamos do T-Rex: de pé, imponente, com os braços estendidos à frente do corpo.

Posição 2 — O Dragão

A posição 2 é a do duelo clássico, o um contra um frente ao atacante. A referência visual é Thibaut Courtois: corpo baixo, palmas das mãos viradas para a frente, olhar fixo na bola.

A chave técnica aqui é a dissociação segmentar. Ao contrário da posição 1, em que as mãos funcionam em espelho, a mão esquerda e a mão direita tornam-se independentes. Não trabalhamos o mergulho puro: afinamos os reflexos, usamos os braços, os pés, o corpo todo para travar um remate muitas vezes forte e próximo. A criança torna-se um Dragão: atenta, compacta, pronta a morder.

Posição 2 intermédia — O Robô

Entre a posição 1 e a posição 2 existe uma zona cinzenta: o jogador entrou na área, o ângulo já está reduzido, mas ainda está demasiado longe para um duelo verdadeiro. É a posição dragão-robô.

Os braços formam um ângulo reto de 90 graus e as pernas estão mais afastadas do que na posição 1. O corpo está como que pronto a correr, nunca estático. As crianças adoram a imagem do Robô: articulado, quadrado, reativo. Esta posição intermédia é essencial porque ensina o jovem guarda-redes a ler a distância em vez de aplicar mecanicamente uma única postura.

Posição 3 — O Muro

A posição 3 é acionada quando o jogador está muito próximo: menos de três metros num adulto, menos de dois numa criança. A essa distância, o atacante já não pode realmente escolher o ângulo; só pode rematar contra o guarda-redes ou através dele.

O objetivo passa então a ser fazer o muro. Baixa-se todo o corpo, aproxima-se o mais possível da bola e fecha-se cada ângulo: entre as pernas (aquilo a que chamamos "a porta"), dos dois lados e por cima. A arte da posição 3 é não deixar ao jogador qualquer espaço livre.

Posição 3 deslizada — A Cruz

Quando a situação é ainda mais apertada, o guarda-redes passa à versão extrema: a Cruz. Braços abertos, pernas abertas, o corpo forma literalmente uma cruz no chão para cobrir a maior superfície possível.

O exemplo mais célebre é a defesa de Damián Martínez a Kolo Muani, nos instantes finais da final do Mundial de 2022 entre a França e a Argentina. Essa defesa, hoje lendária, ilustra exatamente a lógica da posição 3 deslizada: quando falta tempo, faz-se a cruz.

Posição 4 — Nos cruzamentos

A posição 4 é específica dos cruzamentos. Prepara o corpo para duas coisas ao mesmo tempo: a recolha de informação (onde está a bola, onde estão os atacantes, onde estão os defesas) e a deslocação rápida, muitas vezes lateral, para agarrar ou desviar de punhos a bola aérea.

É uma postura de leitura: o guarda-redes não está preso, está pronto a decidir. Nos mais novos é muitas vezes a posição mais difícil de adquirir, porque exige olhar para outro lado que não a bola e antecipar uma trajetória no ar.

Posição 5 — Bola nas costas

A posição 5 adota-se quando uma bola é jogada atrás da linha defensiva. O guarda-redes está de pé, alto nos apoios, pronto a explodir para a frente. A colocação dos pés é precisa: se a bola vem da esquerda, o pé direito está à frente; se vem da direita, o pé esquerdo está à frente.

Mas o verdadeiro trabalho da posição 5 é mental. A criança aprende a não olhar apenas para a bola: observa a linha defensiva, as corridas dos atacantes, e tem de conhecer a regra do fora de jogo para saber que bolas deve ir buscar. Com guarda-redes mais velhos vamos mais longe: ler as corridas dos atacantes para sair no momento certo, nem cedo demais nem tarde demais.

Uma linguagem comum entre o treinador e o guarda-redes

O sistema das 5 posições não é uma grelha rígida. É uma linguagem comum entre o treinador e o guarda-redes, um código curto que substitui as longas explicações a meio de um treino. Quando um treinador grita "posição 2" da linha lateral, a criança não precisa de traduzir: o corpo já sabe.

Este método é próprio da Academia Aureak. Foi construído no terreno, corrigido época após época, e continuará a evoluir. O futebol muda, os atacantes também, e daqui a dez anos algumas posições terão certamente sido afinadas ou completadas. O que não mudará é a ideia de partida: dar aos jovens guarda-redes uma ferramenta simples e visual para transformar uma situação confusa numa reação clara.